Às vezes dou por mim a pensar se não haverá por aí uns senhores que julgam ter o dito cujo voltado permanentemente para a lua. Rodeados por água a toda a volta, vão fazendo o que lhes dá na sua real gana fazer, mesmo que para isso tenham de fazer calar algumas vozes temerárias que não conseguem ser ouvidas porque isso muito as atrapalharia.
E até as mais das vezes são os primeiros a chamar aos outros o que realmente são.
Estes tempos que acontecem nos nossos dias são, dizem-me, tempos de enormes incertezas, alicerçadas nas dúvidas que a certeza de que as coisas não estarão lá muito "católicas" nos vem dizendo.
E, na verdade, nestes tempos, que de insegurança nos carrega, cada vez mais me vou lembrando de outros tempos e de outras vidas. Outras vidas de gentes que também apenas souberam viver tempos de valores deitados ao chão do tempo que corria.
Se calhar, não era nada mal pensado voltarmos todos às páginas de alguns livros, sobretudo àqueles onde nos é contado como acabaram muitos dos impérios e dos potentados que preencheram as páginas da nossa História comum.
É que, se calhar, até podíamos descobrir que caminhos não se podem - ou devem - percorrer...
Então, depois do que se tem para aí dito e redito, por uma série de “doutorados” da nossa política económica, a montante e a jusante, quer cá dentro, quer lá fora, como é que é? Já não é vital, urgente, a redução drástica da despesa pública para sairmos todos da crise (ou das crises) em que estamos (ou, dirão mesmo alguns, nos meteram)?
E é curioso, ouvir agora a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, afirmar que "dito de um modo simples, as políticas macroeconómicas devem apoiar o crescimento. E a política monetária deve, também, manter-se altamente 'acomodativa', pois o risco de recessão ultrapassa o risco de inflação". E mais: “Em suma, segundo Lagarde, o FMI encorajaria os Estados Unidos e a Europa a não reduzirem rapidamente as suas despesas públicas para não precipitarem situações recessivas.”
Como já aqui se disse, o desatinado não vai lá muito com milagres. Pelo menos destes. E sabe bem que, no fundo, no fundo, eles não deixaram de ser inteligentes. E até sabem muito bem o que querem.
Alguém dizia ontem, sobre algo que muito tem sido discutido nos últimos tempos, ou seja, sobre a questão dos impostos que pagam (ou poderiam pagar) aqueles que mais riqueza demonstram deter, que era tempo de olhar o paradigma da distribuição da riqueza de forma diferente, com outros olhos, com outras preocupações. É que, dizia, estava convencido que os povos não iriam aceitar durante muito tempo as coisas como elas estão agora.
Não por acaso, referiu também que, nos tempos que correm, ouvem-se já vozes de alguns desses detentores de maiores riquezas (poucos – quase raros - é certo) afirmando que esses mesmos deveriam, possivelmente, pagar mais que o comum dos pobres mortais.
Coitados, diria eu, vêm agora dizer: “Vá lá, taxem-nos um pouco mais, que nós até queremos pagar…
Mas cá o desatinado, fica a pensar que acha muito estranho que aqueles poucos (mas mesmo muito poucos) que “nababamente” vivem detendo a maioria (mas maioria quase absoluta) da riqueza da nossa casa comum, manifestem esta estranha consciência escrupulosamente digna e humilde. É estranho, não é? Pelo menos, parece.
Se calhar, se calhar, eles é que também já perceberam que os povos são bem capazes um dia de dizer que “o rei afinal vai nu” e que as coisas têm que mudar.
O desatinado não vai lá muito com milagres. Pelo menos destes. E sabe bem que, no fundo, no fundo, eles não deixaram de ser inteligentes. E até sabem muito bem o que querem.
Ou sou eu que estou a ficar um pouco "balhelhas", para não dizer outra coisa, ou há para aí uns quantos que só abrem a boca, ou para entrar a dita coisa, ou para sair a dita coisa.
Vir alguém dizer que um tal de "Senhor das Ilhas" tem sido o dito cujo mais injustiçado deste cantinho à beira mar plantado é tese que não lembraria ao mais diabólico "Belzebu" dos diabretes que nos povoam a memória.
E depois não digam que desatinados andamos todos nós... Os pobres diabos que sentimos bem na pele todas estas 'diatribes' desta elite mais ou menos iluminada.
Parece-me, ao ouvir algumas das iluminadas e altamente "embarrigadas" pessoas que nos tempos que correm nos enchem os ouvidos com palavras, as mais das vezes, impróprias para consumo, que devo (pelo menos eu, já que não sou capaz de falar por outros...) viver num planeta ainda por descobrir. Não aquele onde pensava estar, por mais que muita gente me possa dizer o contrário.
Na verdade, na verdade, ele há cada um...
(E nem quero "amorinizar" nem "berardear". Porque nem me baixo a tanto...)